Jigoro Kano
Bushido

Jigoro Kano, 3º filho de Jirosaku Mareshiba Kano, alto funcionário da marinha imperial, nasceu no dia 28 de outubro de 1860, na cidade de Mikage, hoje província de Hiyôgo.

Foi educado nas escolas de literaturas e japonesa, até que em 1871, após a morte de sua mãe, Jigoro Kano, então com 11 anos de idade foi com seu pai para Tóquio, onde começou a estudar o idioma inglês, então indispensável para o progresso em qualquer sentido e que, possibilitou mais tarde tornar-se professor e tradutor dessa língua e ainda montar sua própria escola em Tóquio, a Kobukan (escola de inglês).

Em 1877, matriculou-se no curso de Literatura da Universidade de Tókio, optando por áreas de estudos da Filosofia, Ciências Política e Econômica.
Seu pai queria que ele seguisse a carreira de diplomata ou político, mas Jigoro Kano preferiu o magistério.

Embora de personalidade marcante, possuía físico franzino, medindo 1,50 metros de estatura e pesando uns escassos 48 kg, o que dificultava o seu ingresso na maioria dos esportes e provocava o desprezo dos outros adolescentes.

Aos 16 anos, decidiu fortificar o corpo, praticando a ginástica, o remo e o basebol. Mas estes desportos eram demasiados violentos para sua débil constituição. Além disso, nas brigas entre estudantes, Kano era sistematicamente vencido.

Ferido na sua qualidade de filho de um Samurai decidiu estudar o jujitsu.
Quem lhe ensinou os primeiros passos foi o professor Teinosuke Yagi.
Em 1877, matriculou-se na Tenshin Shinyo Ryu, sendo discípulo do mestre Hachinousuke Fukuda.
Em 1879, com a idade de 82 anos, Fukuda morreu e Kano herdou seus arquivos. Tornou-se em seguida aluno do mestre Masatomo Iso, um sexagenário que possuía os segredos de uma escola derivando igualmente do Teshin Shinyo Ryu.
O aplicado aluno logo se torna vice-presidente da escola.

Novamente perde o mestre pelo falecimento.
Com a morte de Masamoto, Jigoro Kano passa a treinar intensamente, mas um bom professor é indispensável.
Foi então que Jigoro Kano passa a aprender Jujitsu Kitôryû com o mestre Kônen Iikudo. Na medida em que foi progredindo na aprendizagem deste estilo, notou uma diferença significativa no conteúdos e métodos da prática entre Kitôryû e Tenjinshinyôryu.
Em função desse fato, passou a pesquisar outros estilos entrando em contato com mestres ou através do Makimoto (Manual), adquirindo nas casas de penhor, onde muitos mestres de jujitsu faziam empréstimo em dinheiro e penhorando seus manuais.

Nessa época a dinastia Tokugawa (Governado por Samurais) acabava de ser destruída, e foi restaurado o poder de governar o Japão ao Imperador Meiji. Tal fato deu abertura à introdução das culturas e tecnologias ocidentais. A sociedade japonesa estava vivendo a euforia da era da ocidentalização, sendo inclusive a arte marcial, que é tradição cultural milenar do Japão caindo no descaso.
Falar em aprender Jujitsu era considerado uma pessoa louca.. Ninguém queria ensinar Jujitsu também, sempre alegando que aprender essa arte é atraso de vida.

Jigoro Kano experimentou através do seu próprio corpo, que a prática de Jûjitsu tem um valor educativo grandioso, e pensou na possibilidade de ensinar os jovens e adultos.
Através de exaustiva pesquisa, extraiu de vários estilos de Jujitsu aspectos benéficos e acrescidos de muita criatividade, estruturou as técnicas e as teorias condizentes com a nova era, sendo a Educação Moral, a Educação Física e Competição Educativa.
Assim, evoluiu-se de Jitsu (arte) para Dô (caminho que culmina na doutrina da vida) e denominou de JuDô.

Em fevereiro de 1882, Jigoro Kano inaugura sua primeira escola denominada Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade). A Kodokan estava localizada no segundo andar de um templo budista Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, onde haviam doze "jos" (jo medida de superfície, módulo de tatame).
O primeiro aluno inscreveu-se em 05 de junho de 1882, chamava-se Tomita. Depois vieram Higushi, Arima, Nakajima, Matsuoka, Amano Kai e o famoso Shiro Saigo (Sugata Sashiro).
As idades oscilavam entre 15 e 18 anos. Kano albergou-se e ocupou-se deles como se fosse um pai.
Foi um período difícil, mas apaixonante. O jovem professor não tinha dinheiro e o shiai-jo media 20m², mas a escola progrediu e em breve tornou-se célebre. O DoJô de Kodokan, visava através da pratica do JuDô o desenvolvimento físico saudável, a educação intelectual e moral e como objetivo final de aprender o caminho da vida do homem.


Em 1898, em uma de suas conferências, Jigoro Kano, assim se pronunciou:
"Eu estudei jujitsu não somente porque o achei interessante, mas também, porque compreendi que seria o meio mais eficaz para a educação do físico e do espírito. Porém, era necessário aprimorar o velho jujitsu, para torná-lo acessível a todos, modificar seus objetivos que não eram voltados para a educação física ou para a moral, nem muito menos para a cultura intelectual. Por outro lado, como as escolas de jujitsu apesar de suas qualidades tinham muitos defeitos - concluí que era necessário reformular o jujitsu mesmo como arte de combate. Quando comecei a ensinar o jujitsu estava caindo em descrédito. Alguns mestres desta arte ganhavam a vida organizando espetáculos entre seus alunos, por meio de lutas, cobrando daqueles que quisessem assistir. Outros se prestavam a ser artistas da luta junto com profissionais de sumo. Tais práticas degradantes prostituíam uma arte marcial e isso me era repugnante. Eis a razão de ter evitado o termo jujitsu e adotado o do judô. E para distinguí-lo da academia Jikishin Ryu, que também empregava o termo judô, denominei a minha escola de Judô Kodokan, apesar de soar um pouco longo."

Jigoro Kano desenvolveu as técnicas de amortecimento de quedas (ukemis), bem como criou uma vestimenta especial para o treino do judô (o judogui), pois o uniforme utilizado pelos cultores de jujutsu, denominado hakamá provocava freqüentemente ferimentos. A nova arte do mestre tinha duas formas distintas, uma abrangia as técnicas de queda, imobilizações, chaves e estrangulamentos. Essa forma evoluiu para o esporte e a outra parte consistia nas técnicas de golpear com as mãos e os pés, em combinações com agarramentos e chaves para imobilização, inclusive ataques em pontos vitais (atemi-waza). Essa forma evoluiu para a defesa pessoal (goshin-jutsu).

Jigoro Kano nos legou vários manuscritos, nos quais em geral assinava com pseudônimos, dentre estes, um muito usado por ele era "Ki Itsu Sai" que quer dizer, tudo é unidade. Kano também era poliglota, pois falava quatro línguas além do japonês, francês, alemão, inglês e espanhol.

Lamentavelmente a 04 de maio de 1938, morre Jigoro Kano de pneumonia, a bordo do transatlântico "Hikawa Maru", quando voltava do Cairo, onde havia presidido a assembléia geral do comitê internacional dos jogos olímpicos. Não houve para ele tempo de assistir a Universidade do Judô, mas tinha certeza da sua perpetuação.

"Quando eu morrer, o Judô Kodokan não morrerá comigo, porque muitas coisas virão a ser desenvolvidas se os princípios de minha arte continuarem sendo estudados". 
 
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